Quanto custa hospedar um curso, e quem decide a conta
A conta que liga bitrate a gigabyte, os cinco modelos de cobrança do mercado e por que dois produtores no mesmo plano pagam faturas muito diferentes.
Rennan Ribeirofundador da Moviie7 min de leitura
Host de vídeoNeste artigo
Dois produtores vendem o mesmo curso para trezentos alunos. Um fecha o mês dentro do plano de cem reais. O outro estoura o de quinhentos. Mesma plataforma, mesmo curso, mesmo número de alunos.
A diferença não está em nada que eles escolheram. Está no aparelho de quem assiste.
A conta que ninguém mostra
Toda plataforma cobra pelo mesmo insumo no fundo: os bytes que saem do servidor até o aluno. O que muda é a unidade que aparece na fatura. Antes de comparar preço, vale saber converter.
A regra é uma multiplicação. Bitrate em megabits por segundo vezes 0,45 dá gigabytes por hora assistida. Um vídeo a 5 Mbps consome 2,25 GB por hora de reprodução.
| Qualidade | Bitrate típico | GB por hora assistida |
|---|---|---|
| 360p | 0,8 Mbps | 0,36 GB |
| 480p | 1,4 Mbps | 0,63 GB |
| 720p | 2,8 Mbps | 1,26 GB |
| 1080p | 5,0 Mbps | 2,25 GB |
| 4K | 25 Mbps | 11,25 GB |
Os bitrates são a escada padrão do mercado. Servem para dimensionar, não para prometer. Um vídeo de tela parada gasta menos que uma câmera na mão, no mesmo degrau.
Quem escolhe a qualidade não é você
Streaming adaptável troca de degrau sozinho, conforme a rede de cada espectador. Você sobe uma vez. Cada aluno recebe a versão que a conexão dele aguenta naquele segundo.
Faça a conta de um curso com trezentos alunos que assistem quatro horas por mês. São mil e duzentas horas assistidas.
- Turma majoritariamente no celular, em 480p: 756 GB por mês.
- Turma equilibrada, em 720p: 1,5 TB por mês.
- Turma no computador, em 1080p: 2,7 TB por mês.
É a mesma turma. É o mesmo curso. A fatura varia três vezes e meia, e nenhuma dessas variações passou por uma decisão sua.
Você não controla a variável que define a sua conta. Quem controla é o celular do seu aluno.
Você sobe uma hora e guarda cinco
O segundo mal-entendido é o armazenamento. O que ocupa espaço não é o arquivo que você enviou. É o conjunto de versões que a plataforma gera dele, uma por degrau da escada.
Uma fonte em 1080p vira cinco versões. Somadas, elas dão perto de 4,8 GB por hora de curso. Um curso de vinte horas ocupa por volta de 95 GB.
Um plano de 300 GB comporta três cursos desse tamanho. Não trezentos gigabytes de vídeo, como o nome sugere. É a diferença entre planejar dois anos de catálogo e descobrir o teto no oitavo mês.
Os cinco modelos de cobrança
Depois de converter tudo para bytes e minutos, dá para comparar o que antes era incomparável. O mercado brasileiro trabalha com cinco lógicas, e cada uma pune um perfil diferente de operação.
| Modelo | Quem cobra assim | O que dispara a conta | Quem se dá mal |
|---|---|---|---|
| Por gigabyte | Panda Video · Smart Player · Kinescope · Bunny | Bytes guardados mais bytes entregues | Catálogo pesado ou audiência grande |
| Por minuto | Cloudflare Stream | Duração do vídeo | Catálogo longo e pouco assistido |
| Por play | VTurb | Cada reprodução iniciada | Muitas aulas curtas por aluno |
| Por assento | Vimeo | Quantidade de pessoas no time | Time grande de edição |
| Por venda | Hotmart Club | Cada transação aprovada | Ticket baixo em volume alto |
Repare que só a primeira linha responde ao consumo real. As outras quatro cobram por uma coisa que pode ter pouca relação com quanto vídeo você entregou naquele mês.
Por minuto é o único imune ao bitrate
O Cloudflare Stream cobra por minuto e diz na página que o tamanho do arquivo não entra na conta. São 5 dólares por mil minutos guardados e 1 dólar por mil minutos entregues.
Isso inverte o incentivo. Duzentas horas em 4K custam o mesmo que duzentas horas em 480p. Em qualquer plataforma que cobre por gigabyte, o mesmo catálogo em 4K sai várias vezes mais caro.
O Mux também cobra por minuto, com um detalhe que anula parte da vantagem: ele aplica um multiplicador de resolução. O 1080p custa 1,25 vez o preço base e o 4K custa 4 vezes.
Por play ignora quanto tempo a pessoa ficou
Na VTurb um play conta quando alguém começa a assistir, e a duração não importa. O plano Basic custa R$ 97 e inclui 6.000 plays. Acima disso são 2 centavos por play extra.
Para uma VSL isso é ótimo: poucas sessões longas cabem no plano mais barato. Para um curso o efeito se inverte. Dois mil alunos abrindo vinte aulas dão quarenta mil plays, mesmo que ninguém passe dos primeiros minutos.
Onde a conta estoura
Os três acidentes mais caros não estão no preço de tabela. Estão no que acontece quando você passa do teto.
Excedente pós-pago custa o dobro do pré-pago. Na documentação de cobrança da Panda Video, banda estourada sai a R$ 0,30 por GB e a mesma banda comprada antes sai a R$ 0,15. Quem não olha o medidor paga duas vezes pelo mesmo byte.
Teto de banda que não cobra a mais, suspende. A política de banda do Vimeo fixa o limite em 2 TB por mês e avisa que a conta fora de conformidade corre risco de suspensão, com os vídeos parando de tocar onde estiverem incorporados. O detalhe que muda a decisão: esse teto é igual em todos os planos do autoatendimento. Pagar o plano mais caro compra armazenamento e assentos, não compra banda.
A tarifa muda com a região do público. Na tabela de CDN da Bunny, a América do Sul sai a 4,5 centavos de dólar por GB contra 1 centavo na Europa. Preço anunciado por CDN global costuma ser o da faixa mais barata, que não é a nossa.
Gigabyte não é gigabyte
Existe uma ambiguidade que quase nunca aparece em comparativo e vale alguns pontos percentuais. A sigla GB tem dois significados em uso.
Na base decimal, 1 GB são um bilhão de bytes. Na base binária, são 1.073.741.824. A diferença é de 7% no gigabyte e de quase 10% no terabyte.
Um contrato escrito na base binária e anunciado como GB embolsa esses 7%. Nós já tivemos esse erro invertido contra nós na Moviie: a cota do cliente era medida em base binária enquanto o provedor de armazenamento faturava em decimal. A plataforma comia o spread. Hoje as duas pontas usam a base decimal.
Como estimar a sua conta em cinco minutos
Três números resolvem. Você consegue os dois primeiros no relatório da sua plataforma atual.
- Horas assistidas por mês. Alunos ativos vezes horas por aluno. Não use o tamanho do catálogo: o que pesa é o que foi visto.
- Qualidade média entregue. Se não houver relatório, use 720p como ponto de partida e refaça a conta com 1080p para ver o pior caso.
- Multiplique. Horas vezes o GB por hora da tabela. Esse é o número que decide o seu plano.
Com ele na mão, o comparativo muda de natureza. Você para de comparar mensalidades e passa a comparar o custo do seu consumo em cada lógica de cobrança. É a mesma conta que a gente usa para desenhar os planos da Moviie, e ela está aberta em planos e preços.
Para os casos específicos, dois artigos aprofundam recortes deste: hospedar vídeo no Hotmart e preço do Vimeo e alternativas.
Perguntas frequentes
Quanto de banda consome um curso de 20 horas?
Depende de quantas horas são assistidas, não do tamanho do curso. Cem alunos que veem o curso inteiro em 720p geram cerca de 2,5 TB. Os mesmos cem alunos em 480p geram 1,26 TB.
Vale a pena hospedar no YouTube para economizar?
O custo em dinheiro é zero, e a contrapartida está nos termos de uso: você concede ao YouTube o direito de anunciar no seu conteúdo sem que isso gere pagamento a você. Para curso pago, o problema maior é o controle de acesso.
Por que meu plano encheu tão rápido?
Provavelmente pelo armazenamento das versões. Cada upload vira várias qualidades, e o total guardado fica em torno de cinco vezes uma hora de fonte em 1080p.
Compensa desligar as resoluções altas?
Compensa quando o seu público é majoritariamente móvel. Cortar o 1080p reduz o armazenamento e derruba o pico de banda, ao custo de uma imagem pior em tela grande.
Cobrança por play é melhor que por gigabyte?
Para VSL costuma ser. Para curso raramente é, porque cada aula aberta conta como um play novo e o aluno abre dezenas delas ao longo do mês.
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